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A adoção da criptomoeda Dash na Venezuela chegou a massa crítica, excedendo a de todas as outras criptomoedas na região combinadas.

Como listado proeminentemente no diretório de comerciantes DiscoverDash, a Dash alcançou 541 comerciantes no país e contando, praticamente um terço do total global. Isto está em nítido contraste com outras criptomoedas, muitas da quais estão lutando para conseguir sucesso no meio convencional como método de pagamento do varejo. De acordo com o chefe de desenvolvimento de negócios do Dash Merchant Venezuela Alejandro Echeverría, isto se deve a uma presença abrangente de vários times da Dash no local dando suporte e assistência técnica:

“Na Venezuela temos mais de 500 comerciantes que estão aceitando Dash, 80% deles trazidos pelo o Dash Merchant Venezuela. Sabemos pelo desenvolvedor do sistema de ponto de venda promovido por nós que, agora mesmo, há bastantes transações acontecendo diariamente. Estamos fazendo um monitoramento visando acompanhar toda a atividade dos comerciantes: saber se eles têm dúvidas, se há algum problema técnico, e criar um relacionamento mais amigável com a marca da Dash.”

Este esforço concentrado se deve à tesouraria da Dash, que separa uma porção da recompensa de bloco mensal de novas moedas criadas para financiar o desenvolvimento e outros projetos. Por conta disto, a Dash financiou conferencias, um programa de adoção para os comerciantes, e até mesmo um serviço de assistência com suporte ao vivo.

Uma solução para a hiperinflação, restrições de comércio e crises econômicas

Essa explosão na adoção da Dash deu aos Venezuelanos um alívio para os problemas econômicos que assolaram o país. De acordo com o Índice Café Con Leche Bloomberg, o preço de um cafezinho já alcançou 1.4 milhões de bolívares conforme a hiperinflação desvaloriza a moeda rapidamente. Enquanto isso a Dash vale cerca de 25× mais do que no início do ano passado.

Além disso, a habilidade da Dash de enviar transações de maneira instantânea e segura para qualquer lugar do mundo por uma fração de centavo abriu novas oportunidades para negócios envolvidos em comércio internacional. De acordo com a fundadora do Dash Venezuela Eugenia Alcalá Sucre, um comerciante em particular usou a Dash para maximizar a eficiência das negociações com três países diferentes:

“Um produtor de cintos foi capaz de comprar seus materiais na China e pagar com Dash (ele nos contou que foi a transação de negócios mais rápida que ele já fez); e, depois que os cintos estavam prontos, ele foi capaz de vender o produto final para Honduras. Ele recebeu esse pagamento em Dash.”

A natureza descentralizada e global da Dash permitiu transferências financeiras globais tão eficientes quanto compras feitas cara a face. Isto é particularmente importante dado o estado de isolamento e sanções econômicas que a Venezuela enfrenta.

A presença dominante da Dash pode ter transformado Caracas na capital mundial das criptomoedas

Um grande fator do sucesso da Dash na Venezuela foi a sua abordagem abrangente e focada na capital: Caracas. Por conta disto, Caracas poderia facilmente ser considerada a “capital das criptomoedas” no mundo devido ao seu número significativo de negócios aceitando criptomoedas, graças ao grande impulso de adoção da Dash. Echeverría teve sucesso significativo em conscientizar o público em geral:

“O maior impacto e trabalho de marketing foi em Caracas. Todos os dias mais e mais pessoas conhecem a Dash por conta dos nossos outdoors, conferências, presença em eventos de food truck etc. Quando você pergunta às pessoas se elas sabem o que é Dash, é muito comum ouvir “Ah claro que já ouvi falar dela, é uma criptomoeda, eu vi ela nos outdoors e alguns comerciantes aceitando ela, mas gostaria de saber mais.” Isto nos diz que o trabalho de marketing que fizemos foi efetivo. Ela não é considerada uma fraude, primeiramente as pessoas perguntam se ela está relacionada com o “Petro” do governo porque, como você sabe, a propaganda que o governo fez com essa moeda foi bem forte. Obviamente dizemos que ela não está relacionada com o governo, depois continuamos a explicação, e fica mais fácil.”

Como resultado, a adoção na área de Caracas tem prosperado, com cerca de 355 comerciantes atualmente registrados aceitando Dash na cidade. Isto é próximo do número total de comerciantes Dash nos Estados Unidos (incluindo a adoção concentrada em New Hampshire), e representa praticamente 1 negócio aceitando Dash a cada 5 600 pessoas. Esta é a maior concentração de empresas Dash no mundo e uma das maiores per capita, ultrapassada só por Portsmouth em New Hampshire, que possui 28 empresas aceitando Dash para sua pequena população de 21 500, totalizando mais de 1 empresa aceitando Dash para cada 800 pessoas.

O forte ecossistema da Dash na Venezuela começou com as conferências financiadas pela tesouraria no ano passado

O rápido crescimento do ecossistema da Dash na Venezuela pode ser ligado a criação de conferências mensais na região para educar a população local e formar um relacionamento com os comerciantes. A proposta inicial para a tesouraria foi apresentada faz mais de um ano, com a primeira conferência se dando em Setembro. Antes disso, conhecimento sobre as criptomoedas era extremamente baixo e o envolvimento no setor era percebido como perigoso de acordo com Alcalá:

“Antes da primeira conferência em Setembro de 2017, dificilmente as pessoas falavam de verdade sobre blockchain, criptomoedas ou Dash. Houve somente uma conferência famosa feita pelo PWC que conseguiu reunir cerca de 100 pessoas. Havia uma loja que eu conhecia que aceitava Dash, uma loja de computadores em Puerto Ordaz, um cidade no leste do país a cerca de 10 horas de viagem da capital Caracas. Muitas pessoas mineravam ou negociavam criptomoedas, mas elas tinham medo de falar sobre isso. Na verdade, quando o meu projeto começou, estranhos me escreveram emails ou mensagens preocupados com a minha segurança. Eles temiam que se eu falasse publicamente sobre criptomoedas a polícia iria atrás de mim.”

Alcalá acredita que essas conferências mensais viraram a maré e criaram as condições atuais nas quais se deu uma explosão de uso real, em particular graças ao componente Cidade Dash das conferências, que simula um ambiente real de comerciantes aceitando Dash:

“Acredito que as conferências deram um impulso que permitiu que mais e mais comerciantes e usuários adotassem a Dash como método de pagamento ou de doação, ainda mais quando eles também experimentaram a Cidade Dash, porque isso permite que eles aprendam não só na teoria, mas também na prática como é usar Dash para pagar por coisas pequenas como um copo de café, ou por coisas grandes como uma motocicleta. Além disso, junto com as conferências nós desenvolvemos um plano para comunicação social que incluía dezenas de entrevistas no YouTube, TV e em shows de radio, além de dúzias de artigos em plataformas online, jornais e revistas, treinamento para jornalistas especializados, de maneira que eles possam aprender sobre a Dash.”

O esforço concentrado deu frutos de acordo com Alcalá, que enfatizou a presença dominante que a Dash alcançou no país:

“Hoje, depois de quase um ano de trabalho, há mais de 20 comunidades Dash na Venezuela, junto com outros projetos. Há centenas de comerciantes aceitando Dash, fazendo da Venezuela o país número um em adoção da Dash. Nós estivemos no topo dos rankings de download da carteira Dash e de acessos à página Dash.org.”

Echeverría concorda e acredita que a história da Dash na Venezuela precisa ser contada:

“Isto é algo que precisa ser ouvido pelo mundo. Há muita desinformação por aí, mas não vou especificar isso.”